quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Criando Autômatos


Tirando um pequeno percentual de seres humanos que tem a infelicidade de nascer com algum tipo de problema genético, nascemos todos funcionais: sabemos nos comunicar, movimentar, temos sentimentos, entendemos os sentimentos dos outros, temos a capacidade de aprender e sempre, seja em que nível for, também ensinamos.

Todos temos iniciativa. Temos o desejo de progredir.

Todos temos algum dom. Bom ou mal. Em um ou mais pontos, sempre existe algo em que seremos melhores que outras pessoas.

O ser humano é tão bom, mal ou mediano quanto os limites que lhe são impostos.

Duvida? Vou usar dois exemplos, diametralmente opostos é claro. Você pode achar outros que conheça e tirar suas próprias conclusões. Este é o meu blog, são minhas conclusões.

Presídios no Brasil
Seja qual for a pena que tenha sido imposta ao réu, ele acaba de entrar no inferno. Não existe nenhum plano de re-socialização, de aprendizado, de retorno para a sociedade. Presídios são apenas depósitos de criminosos sentenciados desde pequenos furtos até assassinatos. Gangues, drogas, estupros. Tudo coexiste sob a tutela do Estado e quem cai nesse mundo tem duas opções: embrutece para sobreviver e carrega essa carga para o resto da vida ou... Morre!

Não vou gastar meu tempo falando sobre o sistema penitenciário brasileiro. Você já sabe como é, já escutou falar e hoje em dia temos mais medo da polícia do que do bandido.

Google
Considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no mundo. Seus funcionários têm liberdade para criar, planejar, horários flexíveis, trabalham fazendo brainstorms com equipes através do globo.
Como uma técnica de motivação, o Google utiliza uma política - Innovation Time Off - onde os engenheiros do Google são encorajados a gastar 20% do seu tempo de trabalho em projetos que lhes interessam. Alguns dos novos serviços do Google, como o Gmail, Google Notícias, Orkut e AdSense originaram-se destes esforços independentes. Metade de todos os lançamentos de novos produtos atuais se originou a partir do Innovation Time Off.

Em março de 2011, empresa de consultoria Universum divulgou dados de que o Google ocupa o primeiro lugar na lista de empregadores ideais por quase 25% dos 10 mil jovens profissionais perguntados pela pesquisa.

Como falei, são dois exemplos contrários. O inferno e o céu.

Serviram para demonstrar que tipos de ser humano esses lugares produzem. O do pior tipo, mas que usando uma lógica reversa temos que dizer que é o melhor do pior tipo, assim como iremos dizer que temos o melhor do melhor tipo, o que produz e realiza.

Mas, volto à questão principal: o ambiente tira das pessoas suas características, sejam elas boas ou ruins? Faz de um ser humano algo apático?

Não conhece alguém assim? Alguém que não se importa mais? Que não se alegra, se entristece ou se horroriza com o que vê? Ou pior, não se importa mais com nada à sua volta, excluiu o mundo de suas necessidades. O que outros pensam, sentem, necessitam não faz mais diferença.

Então, e sabendo que você conhece esse tipo de gente, pergunto: em que tipo de ambiente pessoas assim vivem e trabalham? Que tipo de pessoas eles estão produzindo?

Esse post tem muitas perguntas. Algumas você já sabe responder, outras talvez saiba mas não vai pensar muito, porque o ambiente que você vive o ensinou a não duvidar dos paradigmas que o envolvem.

O assunto é muito mais abrangente. Pode ser pessoal ou profissional. Mas hoje, dia 08/09, um dia após o Dia da Independência do Brasil, temos uma população que é apática perante a corrupção e o desprezo ao bem público por todos os políticos do Brasil. É, talvez, a única unanimidade no Brasil: todo político é ladrão.

Apesar disso, dos 195 milhões de habitantes, apenas alguns milhares saíram às ruas pedindo pelo fim da corrupção. O resto é resultado da apatia do meio que vivemos.

Infelizmente o Brasil é muito mais parecido com uma penitenciária do que com o Google.

Temos que embrutecer para sobreviver.


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