Tenho que agradecer minha amiga, Mônica.
Outro dia, em uma conversa onde eu me mostrava frustrado e deprimido, ela me falou para que eu tentasse ver os meus problemas de uma outra perspectiva.
Pela visão de uma terceira pessoa.
Confesso que é um exercício complexo.
Após tanto tempo vivendo intensamente cada pequeno detalhe da minha vida e das coisas que me rodeiam, tive que me acostumar a não tentar resolver, comentar, pensar ou filosofar sobre elas. Viver como uma terceira pessoa, olhando para a minha vida de forma imparcial.
É claro que ao fazer isso, os sentimentos e sensações da primeira pessoa passam a ficar em segundo plano. É muito interessante. Afinal, não existe ninguém que goste de nós do que nós mesmos, mas ao nos analisarmos sem envolver a autocomiseração ou colocando panos-quentes em nossos defeitos, nos enxergamos como estranhos e por vezes, podemos nos aconselhar a fazer o melhor.
E o que acontece com os problemas que passamos durante o nosso dia-a-dia? Também passam a ser os problemas de outra pessoa.
E nesse item é que talvez eu tenha conseguido a melhor cura: percebi que eu não tenho problemas que eu não possa resolver. Tenho alguns problemas de saúde, mas tomo meus remédios na hora correta. Tenho alguns problemas, muito poucos, de relacionamento, mas é tão simples: é só apagar essas pessoas da minha vida.
Durante algum tempo – muito! – eu achei que tinha problemas no trabalho. Eu não tinha. O trabalho é que tem seus problemas e eu estou lá para resolver. Esqueci que eu tenho feito o melhor para resolver esses problemas, mas que eles não são meus, são da empresa para que eu trabalho. A partir do momento que eu saio da empresa, ou como falamos, bato o ponto, não tenho mais nada a ver com esses problemas. Só volto a ser uma peça para a resolução na próxima vez que estiver à trabalho. Então, vou, como sempre, fazer o melhor, mas sempre lembrando: o problema não é meu, sou apenas a ferramenta para solucioná-lo.
Difícil? Foi!
Mas até agora, pelo menos nos últimos 2 meses, tenho vivido melhor.
Não estou preocupado com carreira, com salário, não estou ansioso com prazos ou com o que os chefes estão pensando sobre o meu trabalho.
Coloquei cada coisa em seu círculo de influência: minha carreira esta encaminhada, neste ou em outro lugar, o salário tem uma relação direta neste encaminhamento.
Os prazos de entrega não dependem apenas do meu trabalho. Para eles serem alcançados dependem de uma cadeia de pessoas que estão interligadas em uma linha de comando em diferentes áreas. Eu sou apenas um nessa massa de gente. Tenho que fazer a minha parte da melhor maneira possível dentro da minha expertise. Ser honesto e engajado com o projeto. Mas não posso ser honesto e engajado pelas outras pessoas, então, não posso sofrer pela falta de honestidade e engajamento delas. Ponto!
Se meus superiores pensam bem ou mal sobre a pessoa Pielak ou sobre o trabalho do Pielak pouca ou nenhuma influência eu tenho após ter feito o meu trabalho da maneira como exemplifiquei no parágrafo acima.
Não nasci para ser unanimidade. Algumas pessoas gostam e outras não gostam de mim. E aceito. Não sou perfeito e na minha imperfeição posso ter magoado ou estar magoando pessoas sem ao menos perceber. Muitos me magoam e não ligam a mínima para os meus sentimentos.
Assim é a vida.
Não dá para ficar pensando em tudo, resolver tudo, ser bom em tudo, ser popular para todos e ter uma vida sadia ao mesmo tempo.
Algumas vezes temos que deixar para lá, para que o destino resolva.
E torcer que ele resolva bem, porque senão resolver, adianta chorar?

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