Durante a minha infância eu acreditava em coisas que eu não via e não tinha provas: Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente, fantasmas, bruxas. Com a idade, todas essas coisas foram sendo esclarecidas, e como diz o provérbio “quando eu era uma criança eu agia como uma criança, agora que sou um adulto devo agir como um adulto”.
Seria maravilhoso manter a fantasia e mais maravilhoso que esses personagens existissem além da literatura, além do marketing sazonal, além do conto de fadas.
Mas não existem.
Durante alguns milênios, egípcios, gregos, romanos, civilizações nórdicas, incas, astecas acreditaram em deuses que consideravam onipresentes. Levantaram monumentos, fizeram sacrifícios, rezaram e devotaram toda sorte de bons e maus acontecimentos aos humores desses deuses. E provavelmente eles ainda seriam cultuados se aquelas civilizações não houvesses sido dizimadas. Os deuses que eram tão verdadeiros, desapareceram, se tornaram mitologia ou lenda.
Em comum a todas essas culturas existia o temor ao que os “deuses” poderiam fazer aos homens caso (e para cada caso poderia haver punições diferentes) eles não seguissem suas leis. Todas essas culturas tinham seu “inferno” ou lugar para pagar pelos pecados cometidos durante a vida.
As religiões atuais perpetuam as tradições antigas. Sejam de origem cristã, mulçumana, ou quaisquer outras, existem deus ou deuses, pecados, um lugar para pagar por eles depois da morte e é claro, motivo para temer a deus ou aos deuses.
Milhares de anos de história. Nenhuma prova. Apenas a fé para manter toda essa estrutura de pé.
Fé.
Os escritos antigos – muito antigos – foram feitos por pessoas que acreditavam que um eclipse era uma demonstração da existência da divindade ou uma emanação de seu poder. Um cometa era um sinal de mau-agouro. Sacrifícios de animais (e de pessoas) eram feitos.
A boa palavra que esses textos possuem foi traduzida de acordo com o interesse daqueles que hoje a pregam: conseguir tirar dinheiro dos crentes, o máximo possível. Se paga por orações, por pedras e terra vindas da Terra Santa, que diga-se de passagem tem seu solo encharcado de sangue por todas as guerras que lá existiram e existem, em nome de Deus.
No caso da crença cristã, aconselho que as pessoas vejam esse link. O livro que é considerado sagrado foi compilado politicamente por homens e de acordo com a vontade de um imperador romano que era pagão – Constantino I. Um bom inicio para o mais sagrado dos livros...
E por que estou escrevendo tudo isso? Porque a fé de cada um esta baseada naquilo que ele concebe como real. Existem até seguidores de Satanás. Não deixa de ser uma religião e uma fé. Se ela é moral ou ética, isso é uma coisa que cada sociedade, com seus usos e costumes irá aceitar ou não.
Acontece que eu não acredito mais em Papai Noel. Já sou esclarecido o suficiente para saber que não existe um bom velhinho que mora no Pólo Norte, com uma fábrica de brinquedos e que na noite do dia 24 de dezembro sai por ai em seu trenó voador entregando presentes para todos. Apesar de não acreditar, não imponho a ninguém que não acredite também. Que cada um siga tendo suas fantasias, seus sonhos. Mas não os imponha a mim também.
Não estou mais suportando fanáticos religiosos. Eles batem na minha porta, ligam no meu telefone, mandam correspondência, estão na minha televisão, nos meus e-mails, no meu Facebook, no meu Twitter, no meu LinkedIn. Estão à procura de novos desesperados para levá-los para suas igrejas e arrancar o resto de suas posses. Antes, eles esperavam por esses coitados na porta da armadilha, agora, trazem a armadilha para qualquer lugar que seja possível encontrar uma presa, fácil ou difícil.
Tenho uma Fé, mas ela não é igual a sua. Não quero falar sobre isso. Não quero que você me abençoe. Não vou abençoá-lo(a) também.
Quero que você tenha uma vida que represente aquilo que você planta diariamente, ou seja, que você receba de volta o que tem enviado para os outros.
Respeito tanto sua fé, que quando você morrer, vou pedir ao Coelho da Páscoa que lhe dê um grande ovo de chocolate quando você chegar lá, seja o “lá” onde for, apenas para o caso de você, em algum mundo paralelo e estranho, estiver certo quanto à existência desse personagem e for seguidor dele.
Então, se eu vou fazer isso e não vou rir enquanto estiver fazendo, que tal, só por conta da reciprocidade, você não fazer NADA quando eu morrer, além de lembrar do tempo que eu estava vivo e dos bons momentos que passamos juntos, se eles existiram?
Lá (o meu “lá”), de onde eu estiver, vou lhe agradecer.

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