2011 foi um ano emblemático para mim.
Em um mundo onde tudo que é novidade é sempre mais interessante, sobrevivi. Fiz o que sempre fiz de melhor na minha vida: me adaptei. Não da maneira que gostava de fazê-lo em tantas outras ocasiões, tendo que ser melhor que no dia anterior para ficar com a cabeça fora d’água quando era necessário fazer o melhor, e no dia seguinte, melhorar um pouco mais.
Manter-se entre os melhores.
Isso agora esta em stand by.
A adaptação foi me transformar em invisível, deixar de ter opinião, fingir que não tenho gosto, deixar que outras pessoas me digam o que é certo. Larguei todas essas decisões para uma instância ligeiramente acima. Ficou mais fácil e mais difícil. Ficou mais fácil porque agora, quem pensa por mim são outras pessoas, que ao fazer isso, tem a sensação de poder, mesmo que efêmera e fantasiosa. A parte difícil é deixar de ser uma pessoa completa. Mas vivo rodeado de gente assim que parecem ser muito felizes. Provavelmente, essa seja a chave da felicidade.
Parecer ser um imbecil.
A sagacidade é apenas se fazer passar, não ser.
Ser invisível é muito importante nos dias de hoje. As pessoas têm conseguido ficar, dia a dia, melhores em serem piores, e desaparecendo do campo de visão delas, deixo de ser um alvo. É como aquele prego que fica com a cabeça para fora: vai levar uma martelada para se encaixar.
Mas e o que eu faço com a minha experiência de vida, com tudo que sei, com tudo que eu vi, com o que posso fazer?
Exerço outro grande ensinamento: Paciência.
“Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância”.
Dalai Lama
Já tive dias ótimos, bons, medianos, não tão bons, ruins e péssimos. De todos aprendi que nada é para sempre. Não é reclamando que as coisas mudam, mas sim com ações, fazê-las mudar. Não é orando que você se livra da má companhia, é se afastando dessas pessoas e não olhando para trás. Isso vale para qualquer situação da vida: familiar, profissional e relações pessoais.
Diametralmente oposto ao que escrevi acima, se o meio ambiente é hostil como descrevi e necessita uma enorme dose de adaptação, não quer dizer que isso seja um sinal de estar conformado. Muito pelo contrário. É apenas um meio de não se entrar em confronto com o presente status quo até que seja possível se mudar para um outro lugar, onde ser um imbecil não seja mais uma qualidade e que novamente, sejamos desafiados a usar o nosso melhor.
Einstein, Steve Jobs, Thomas Edson, JFK, Churchill, foram grandes homens que mudaram a história em diversas áreas, de atuação. Ao mesmo tempo, tinham personalidades extremamente fortes, alguns eram irascíveis. Todos se lembram da Teoria da Relatividade, da criatividade de Jobs, das invenções de Edson, dos discursos de JFK, da liderança de Churchill durante a Segunda Grande Guerra, mas ninguém dá a mínima se eles tinham problemas de relacionamento.
Todos eles tiveram algum auxiliar, ajudante, secretário, que os acompanhou durante toda suas vidas. Pessoas que aceitaram bovinamente tudo o que lhe foi dito e pedido. Pergunta: Alguém sabe o nome deles? Nem eu...
Paciência. O tempo que passou para quem achou que o pouco que tinha era muito, também passa para quem acha que o muito que tem é pouco. A diferença entre essas duas pessoas é a gana por buscar novos horizontes.
Eu irei buscar os meus. Me acompanha?

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