Algumas vezes me pego reclamando, como se algo ainda precisasse ter ou que provar para alguém ou para eu mesmo.
Esqueço da caminhada, dos tantos passos que me trouxeram até aqui e que não foram compartilhados por todos que me rodeiam hoje, mas sim, por uma pequena audiência.
Esqueço que cai, levantei, cai e levantei.
Muitas vezes.
Que quando cai, a queda não foi tão brusca porque braços amigos apoiaram e os mesmos braços (ou outros, quem sabe?) me ajudaram na escalada.
No balanço, entre lágrimas e sorrisos, eu ri mais. Eu tive mais do que perdi e o que eu perdi, sejam bens materiais ou pessoas que se foram, fazem falta na medida que elas – coisas e pessoas – foram importantes positivamente para mim.
Não choro pelo pior que desapareceu e que poderia ter sido melhor como foi para outras pessoas. Agradeço ter a história de vida que tenho, uma mistura de pessoas, lugares, experiências e sentimentos.
Felicidade completa não existe. Existem sim momentos felizes, uma longa rotina entre eles e às vezes, algo que consideramos “momento triste”.
Pensei que com os anos seria mais difícil aprender coisas novas, mas ao contrário do dito popular “não se ensinam truques novos para um cachorro velho”, ficou mais fácil compreender como tudo e todos funcionam e finalmente não questionar personalidades, egoísmos, grosseria gratuita, egocentrismo.
Desapego.
Desapegar do que nos faz mal.
Do que me faz mal.
Não apenas deixar para trás, mas deixar de pensar, deixar de remoer porque é assim e não diferente. Deixar de perder tempo com o que não tem jeito de ser mudado.
Ser inteligente, afinal, nesse ponto da minha vida, não posso me dar ao luxo de continuar perdendo tempo com coisas ou pessoas que não querem perder tempo comigo.
É uma questão de sobrevivência.
Gostaria de ter essa sabedoria quando tinha 15 anos. Teria vivido melhor. Meus momentos “tristes” seriam em menor número. Bastaria ter me desapegado. Desapegado de empregos ruins, amigos ruins, parentes ruins, situações ruins e ter pensado em promover na minha vida mais situações felizes.
O balanço que já é positivo – entre alegrias e tristezas – seria avassaladoramente positivo.
Não posso voltar no tempo, mas quem sabe, você que esta lendo isso e é mais novo que eu aprenda com um dos meus erros, não tenha que esperar fazer meio século de idade para começar a deixar o desapontamento para trás.
Desapontar-se faz parte da vida e não esta no seu círculo de influência ou no seu controle fazer com que outras pessoas o desapontem ou não.
Desapegue-se.
Seja feliz pensando em você.
Agradeço à vida!

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