sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Testamento

Nada é mais imprevisível que a morte.

Um dia estamos e no noutro não estamos mais. 


Fomos.

Decidi deixar o meu testamento pronto, para que não ajam dúvidas sobre os meus últimos desejos, que são poucos.

Se alguma posse eu tiver, que ela fique com meus herdeiros. 


Que saibam dividir igualitariamente. Sejam generosos com o pouco ou muito que receberem. Doem algo para a caridade. Quanto? O que seus corações acharem justo.

Não gostaria de ser enterrado. 


Já ocupei espaço demais na Terra e não gostaria de ser uma pedra esquecida em um cemitério qualquer. Meu desejo é ser cremado e que minhas cinzas fossem jogadas ao vento, em qualquer lugar. Não estou nelas. O meu conteúdo já esta em outro lugar. O que restou, seja na forma que for, é uma embalagem vazia. Reciclem-na.

Deixo para o mundo meus filhos.

Não sei se o mundo irá me agradecer ou não por esse presente, mas são o produto de anos de cuidado, de educação e do que eu pude demonstrar, na minha visão, como certo. Como indivíduos, eles possuem seu próprio livre arbítrio e serão melhores ou piores do que eu entreguei para o mundo. Não esta no meu poder. Meu desejo é que eles sejam um presente para a humanidade. Senão forem, peço desculpas.

Não tenho mais nada de especial para deixar de legado. Esses são os meus tesouros.

Como pedido ainda, que ninguém chorasse pela minha partida. 

Seja ela em breve ou daqui a muito tempo, eu posso dizer que vivi e tive boas experiências. Não tenho nenhum tipo de remorso, não deixaria de fazer nada do que fiz.

Não desejaria que a volta do meu corpo se juntassem aqueles que apenas me conheceram e se acharam na obrigação de “visitar o defunto”. 

Prefiro que esteja lá, se for o caso, apenas um amigo, mas que ele seja verdadeiro. Se nenhum aparecer será apenas o resultado do que plantei na minha vida. Sem remorsos.

Ninguém precisa se entristecer.

Se não for pedir muito, faça uma oração por mim. Que ela seja curta, não precisa ser longa.

Lembre de algum momento que nós estávamos rindo juntos.

Ria desse momento novamente. Quero que a lembrança, a última que você vai ter de mim, seja de alegria.

Não questiono a fé de ninguém. Acredito que vou voltar para a minha verdadeira casa quando deixar essa casca. 

Não questione isso em minha memória.

Grande parte da minha crença e meus pensamentos estão contidas nas páginas deste blog, e sim, eu sei que é pouco. É o resumo da minha vida através da minha visão do mundo, não a minha biografia.

Não sou uma celebridade e nem famoso para escrever tal coisa.

Vivi, fui feliz, triste, ri e chorei. Construí coisas, destruí outras coisas. Fui amigo para algumas pessoas e criei alguns inimigos.

Fui uma pessoa comum. Tão comum que só eu me achei especialmente diferenciado a ponto de não querer nada além de um pouco de paz enquanto ainda estiver vivo.

Provavelmente, essa paz, seja algo que só vá receber e aproveitar quando esse testamento estiver sendo lido pelos meus herdeiros. 

1 comentários:

Anônimo disse...

... eu vi um milagre em sua vida, talvez voce nem se lembre, mas, como foi importante para mim, eu me lembro bem de um dia orar ao telefone com voce em um momento de enfermidade, e chorarmos juntos, e para mim, que creio simplesmente sem pedir explicações, naquele momento eu presenciei um milagre. Abraçasso. Fininho. PS. Legal voce escrever "Ele" com "capital letter"